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Trabalhadores do ramo financeiro definem estratégias mundiais de defesa dos direitos
Fonte: Contraf-CUT | Bragança Paulista - 28/10/2019

A brasileira Rita Berlofa, do Sindicato dos Bancários de São Paulo, foi reeleita presidenta UNI Finanças Mundial




Bancários, securitários, financiários e trabalhadores de cooperativas de crédito de todo o mundo se reuniram nos dias 23 e 24, em Málaga, na Espanha, na 5ª Conferência Mundial da UNI Finanças, que é um dos setores UNI Global Union, o maior sindicato de serviços do mundo. Durante os dois dias, eles analisaram a conjuntura mundial e a situação do movimento sindical do ramo financeiro desde a última conferência que foi Antalya, na Turquia. Também debateram sobre quatro grandes eixos de intervenção dos sindicatos dessas categorias no mundo do trabalho.



A presidenta mundial da UNI Finanças, Rita Berlofa, abriu a conferência pedindo aos afiliados da UNI que enfrentem o desafio do setor financeiro e construam poder sindical em todo o mundo.

O primeiro debate tratou da estratégia para romper barreiras, se organizar e fazer os sindicatos crescerem para se empoderarem e fazer enfrentamento com os bancos multinacionais que exploram os trabalhadores, não respeitam os direitos humanos e os direitos trabalhistas específicos de cada um dos países.

Sistema financeiro que queremos

Ainda no dia 23, os trabalhadores debateram sobre a atuação dos sindicatos na luta por um sistema financeiro sustentável. Representantes do mundo acadêmico foram convidados para contribuir com a reflexão sobre um o sistema financeiro que seja sustentável, que não seja predador. “Queremos um sistema financeiro que sirva para desenvolver o mundo, que esteja a serviço da sociedade e não seja apenas uma máquina de fabricar dinheiro para seus acionistas e seus donos. Temos que colocar o sistema financeiro efetivamente a serviço do desenvolvimento para construir um mundo melhor”, disse a presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Ivone Silva.

Tecnologia e o mundo do trabalho

No segundo dia, os trabalhos se iniciaram com o debate a respeito da digitalização no mundo do trabalho e os impactos que as tecnologias estão causando nas relações trabalhistas e no emprego.

Após os relatos de delegações de todos os países, mostrando que a tecnologia está tirando emprego da categoria; que os trabalhadores que não se atualizam são demitidos e não encontram novas colocações; o debate girou em torno do fato de que a tecnologia é muito boa, seu uso é inevitável e, diante disso, o que é preciso ser feito para que ela sirva à toda a humanidade e que, em nome das necessárias alterações e da modernização tecnológica, ninguém seja excluído dos benefícios que ela traz.

“No Brasil, conseguimos incluir na Convenção Coletiva de Trabalho dos bancários cláusulas que amenizam os impactos dos avanços tecnológicos sobre o emprego da categoria”, informou a presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Juvandia Moreira, se referindo à proibição dos bancos mandarem mensagem cobrando o cumprimento de metas pelo celular fora do horário de trabalho, assim como a criação do centro de requalificação e realocação.

“Mas, o centro do debate é garantir que ninguém seja excluído pelos avanços tecnológicos e digitais, que estão mudando não apenas o mundo do trabalho, mas também toda a organização social”, continuou a presidenta da Contraf-CUT, lembrando que, no setor financeiro do Brasil, a maioria das transações são realizadas por meios digitais. “Apenas 8% são realizadas em agências físicas. E, apesar dos bancos seguirem tendo lucros bilionários, com crescimento médio 16%, nos últimos quatro anos os bancos brasileiros reduziram quase 11% dos postos de trabalho, agravando ainda mais a crise de desemprego que vive o país, que possui uma taxa de desemprego de cerca de 13%”, concluiu.

Democracia e direitos humanos

Os trabalhos prosseguiram com o debate sobre direitos humanos e democracia. “Um país só pode dizer que é democrático se, em todo o seu território, houver respeito aos direitos de todas as pessoas, desde o direito de liberdade de expressão e liberdade de organização até o respeito aos direitos humanos de forma mais ampla, como o direito à saúde, à educação, à moradia”, disse o secretário de Relações Internacionais da Contraf-CUT, Roberto von der Osten, incluindo o Brasil entre os países privados da democracia. “Basta lembrar que, desde o governo Temer até agora, perdemos diversos direitos trabalhistas que tinham sido conquistados depois de muitos e muitos anos luta. Basta lembrar da reforma da Previdência, da violência que está instalada, inclusive com o assassinato de Marielle Franco e outros tantos de dirigentes sindicais e políticos”, explicou.



“O ponto mais alto dessa violência é a prisão política do (ex-presidente) Lula, uma prisão que interferiu no resultado das eleições e abriu as portas para, talvez, a mais profunda reforma neoliberal em termos de velocidade que acontece no mundo, onde todo nosso patrimônio é colocado à venda, os direitos são flexibilizados ao extremo e onde os sindicatos estão sofrendo ataques terríveis à sua resistência e sua sustentação”, concluiu von der Osten.

Em seu discurso, Rita Berlofa também falou destacou a falta de democracia e ressaltou que a maior luta da entidade será garantir o direito à sindicalização a todos os trabalhadores do mundo. “Nos EUA, os bancários são pressionados a não se sindicalizar. São mais de 1 milhão de trabalhadores que têm este direito cerceado. Um dos nossos desafios será este. Garantir que os trabalhadores norte-americanos tenham o direito humano de ter um sindicato.”

Deliberações

Ao final do encontro, as resoluções dos quatro eixos foram aprovadas por unanimidade, inclusive uma nota de solidariedade que diz que UNI Finanças Mundial protesta veementemente contra a prisão política do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva.

Também foi eleita por unanimidade a chapa da nova direção da UNI Finanças Mundial. A brasileira Rita Berlofa, representante da Contraf-CUT, e o italiano radicado na Suíça Ângelo Di Cristo foram reeleitos para mais um mandato de quatro anos como presidenta e como diretor mundial da UNI Finanças, respectivamente.